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"Antes de mais honra-me mormente o convite e o privilégio de prefaciar o livro “O Som do Silêncio” da poetisa Alexandra Conduto, tanto mais que conheço bem as suas duas anteriores obras, onde a poeta homenageia o pai, na dor e saudade da sua perda.
Prefaciar um livro de poesia é estar aberto à surpresa, esperar ser surpreendido a cada virgula, a cada verso, a cada página, a poesia é uma das poucas artes literárias que remete o leitor para contemplação, para a arte de degustação da palavra, neste livro a autora despoja-se do passado, criando novas paisagens do sentir, esse despojamento esta bem patente logo no poema de abertura, “Despi a saudade que vestia, / Desfiz-me do manto com que me cobria, /Deixei de ouvir as palavras vazias, / Esquivei-me aos gestos frios. / Saí.” Ao percorrermos este livro escutamos o grito do silêncio, o quanto é forte e ruidoso, o quanto nos açoita e equaciona num desassossego permanente, um silêncio que nos acaricia pela mão suave da brisa. Numa linguagem directa, a autora desenha-nos paisagens de emoções, momentos e sensações.
Ao percorrermos este silêncio das palavras, vamos encontrando-nos com os sons do mundo, com os sons da alma, o enaltecimento da fé, o ruido do sol, uma alma que grita, até e porque não evidenciar uma sensualidade velada, quase oculta por entre o silêncio dos desejos carnais que gritam a peito aberto.
Numa leitura mais atenta a cada um dos silêncios que inspiram a autora, vamos percebendo que o mundo que a rodeia é poesia no seu estado mais puro, uma simples janela que quebra o silêncio do dia, o nascimento do sol rasgando a noite, as grades do corpo que a aprisionam, o sofrimento contido no acto de ser mulher, mais que silêncio, este livro de poesia é um grito de desassossego, uma revolta sem medo, sem contemplações pela busca da afectividade, por esse desejo carnal que nos corrói…
“O Som do Silêncio” é na sua essência barulhento, a autora grita com cada um de nós numa exposição transparente da sua alma, cada sussurro, cada beijo, cada gemido aprisionado na garganta, encontro na leitura deste livro ainda uma escravidão social e silenciosa imposta à mulher nascida no seculo XX, uma demonstração de contenção linguística sem que grite e expluda no resultado da sua libertação, uma poesia sofrida e contida nas agruras da vida do emocional feminino, como tão bem foi mostrada por Florbela Espanca no inicio do seculo XX.
O leitor atento será guiado pelas emoções, entre o sorriso e a lágrima, entre a loucura e o desprendimento, nasce o desejo, o desejo de mais, o desejo de ser, o desejo humano, corporal e afectivo. Despede-se a autora com um poema intrigante, descreve o sofrimento como se de uma inevitabilidade se tratasse, que nunca acaba:
“Já não sei quem sou. 
Já pouco importa 
De onde vim,
Nem para onde vou. 
Sinto o mundo acabar
De tanta vontade de te encontrar, 
Na vontade de te ter
Mesmo estando morta continuo a sofrer...”

Por tudo isto e pelo teu grito brilhantemente conseguido te dou os meus sinceros parabéns a ti Alexandra conduto. Uma obra a ser degustada devagar, sentido o aroma e o fluir dos corpos, em cada silêncio incontido."

Alberto Cuddel

O Som do Silêncio de Alexandra Conduto

€10.00Preço