"Das páginas de Rogélia Proença que aqui se iniciam, sobressai também esta figura do/a artista como alguém com um papel social relevante a cumprir. Partilhamos essa visão: a de que a arte pela arte não cumpre propósitos, circunscrevendo-se, em alguns desses casos vazios, ao espelhar de um egocentrismo inútil. O artista - nos seus 
livros, e nesta obra, em particular - é alguém histórica, social e eticamente implicado. Para Rogélia, ele/a tem a função de humanizar, de nos tornar melhores, mais unos, física, intelectual e 
espiritualmente. Compete-lhe,por idênticos motivos, a função de fazer rever prioridades, sendo simultaneamente esse um dos efeitos mais desejados dos dias que correm, na incerteza e turbulência reconhecidas. Não acalentando a esperança vã de que uma pandemia nos transforme, de súbito, em melhores seres, Rogélia 
motiva, através da sua escrita, a viagem, a empatia e o acordar para o essencial.
Como Antígona e como Sophia, Rogélia é aquela que não aprendeu a ceder aos desastres. Mantém, por isso, a consternação: não sufoca o grito e denuncia. Empenha-se e insurge-se contra o extremismo, o racismo e a misoginia. Incita ao respeito pela diferença, interrogando, sem medo, quem desrespeita. Se a sua poesia é feita de Serra, Montanha e Rio, por ela correm vincadas preocupações
com as crescentes desigualdades sociais, os discursos de ódio e a
fome.
Noutras perspectivas, viajar por este Porto corresponde a viajar pela cultura lusófona, pela pátria que é a língua portuguesa, ao lado de quem com ela diariamente cria novos mundos: “E, para viajar / Bastava, tão só / Abrir os olhos”. Viajar por este Porto é, por fim, ter 
consciência do que é ser mulher. No caso de Rogélia, as experiências 
de mãe e filha, escritora e docente, poetisa e beirã, confundem-se, 
respeitando-se ainda a manifestação de uma identidade própria. 
Apesar de ser muito fácil, para algumas de nós, amarmos o outro, Rogélia relembra-nos a importância de nos amarmos a nós próprios. 
Este livro é, assim, “sobre seres fiel a quem és/ A quem nasceste para ser/ Diferente de todos, igual a ti”."Dra.  Ana Catarina Pereira - Prefaciadora

No teu Porto, fui girassol de Rogélia Maria Proença

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