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A razão deste livro

 

"Há tempos ouvi numa entrevista na televisão, um escritor português muito famoso dizer que «os livros são entidades que embora saiam da pena dos escritores, têm personalidade própria e essa personalidade depende sempre da leitura que cada leitor lhe fizer». Achei a perspectiva muito óbvia mas inovadora e prova disso é por exemplo estar a ler estas palavras.

Não recordo bem como nasci, ando há anos na cabeça de muitos antigos alunos desta Escola com letra grande, mas sair assim para dentro de um papel, em boa verdade só conheço dois trabalhos; um da Professora Lucinda Saragoça “Ensino Agrícola em Santarém” e outro do intrépido  Regente Agrícola aviador Gonçalo dos Inocentes “Alto ao Alto Charrua!”.

Aí pelos fins do ano de 2017 o Alhandra Duarte, meu antigo professor e hoje meu companheiro de café, no meio de uma conversa em que estávamos quase a salvar o mundo e a fazermos fome para ir almoçar, mostrou-me uma caixa de cartão cheia de papéis e fotografias muito antigas. Uns manuscritos, outros passados a máquina de escrever Olimpia De luxe modelo Baby. Posso esclarecer que uma máquina de escrever é uma espécie de computador muito usado por exemplo em 1960, mas que com o aparecimento das novas tecnologias caiu em desuso. Seriam aí cerca de cento e vinte páginas.

Tinha parado de escrever à máquina porque agora já não vendem fitas para aquela máquina e perante matéria tão ligada à Escola, propus-lhe passar tudo a limpo e dar-lhe um arranjo gráfico, incluindo as fotografias no próprio texto.

Passado uma semana no mesmo café entreguei-lhe sessenta páginas arranjadas nos termos acordados. Esse texto da sua lavra faz parte integrante deste livro.

Quando lhe entreguei aquele trabalho, depois de beber o café propus-lhe um desafio. Fiquei infectado pela costumeira virose que costuma com recidivas atacar os antigos alunos. Gizámos um regulamento para a Colectânea das Memórias da Escola Agrícola, em papel timbrado dos “Amigos da Escola Agrícola” de quem somos sócios fundadores.

Depois mostrei o regulamento ao Senhor Director da Escola, Professor José Potes, que não só achou a ideia interessante como decidiu integrá-la nas comemorações dos 130 anos. Ficamos entusiasmados e siderados com a adesão e começamos a espalhar palavra. Logo nesse dia o Inocentes abençoou-nos dizendo que tinha um grupo de textos que eram à medida para tal projecto. O António Zuzarte idem.

Ou seja, no espaço de quinze dias já tínhamos cento e cinquenta páginas. Mas há mais. O Professor Potes nomeou a Ana Teresa Jorge para coordenar a ligação do projecto à Escola, que como Bibliotecária po

deria facilitar o acesso a qualquer documentação que precisássemos ou dúvida que o seu espírito meticuloso costuma deslindar.

Quando as coisas correm bem logo ao princípio, tornam-se imparáveis e em terra fértil com sementes de qualidade, mesmo que não haja água a seara vai correr de feição. Assim foi.

Foi nossa professora de Filosofia na saudosa Escola de Regentes Agrícolas de Santarém a Senhora Professora Lucinda Saragoça, pessoa profundamente conhecedora dos meandros desta casa que poderão constatar pelo excelente trabalho que desenvolveu para este livro.

Mais ou menos com uma periocidade mensal, passamos os três a reunir-nos nas dignas instalações da Biblioteca com o nome do insigne Professor Eduardo Sousa de Almeida, onde íamos discutindo os textos que foram aparecendo.

Os textos apareciam a uma cadência assustadora, numa multiplicidade de qualidades e com uma riqueza de vivências inolvidáveis, opiniões contidas e emotivas e outras que nos deixaram soltar sonoras gargalhadas. Emocionei-me muito a ler algumas. Que Escola incrível e extraordinária!

Quando chegamos às duzentas e cinquenta páginas, nas reuniões começou a pesar sobre as nossas cabeças o problema financeiro. A edição de um livro é uma despesa enorme e muito brumosa para um universo de leitores tão específico. Aquilatou-se a hipótese de começarmos a angariar subsídios, um bocado prejudicada pelo facto da “Associação dos Amigos da Escola Agrícola” não poder movimentar dinheiros.

O problema era de tal ordem e tão estrutural que decidimos optar pela compra antecipada do livro. A editora só procederia à impressão quando tivesse no seu cofre o dinheiro entregue pelos Charruas interessados. Por isso, por essa prova de confiança os patrocinadores deste livro aparecem mencionados nas primeiras páginas. Este livro existe por causa e por seu mérito, sem favores de ninguém.

Outra característica deste livro é que não é por acaso que exibe na capa a menção “Volume I”. Continuamos a receber mais textos que serão para o II Volume e se nos perguntarem quantos volumes vamos editar, perguntem antes qual será o dia em que o último Charrua desapareça. Nesse dia."

 

Alto ao Alto Charrua!

Augusto Meireles Graça

Associação dos Amigos da Escola Agrícola

 

Memórias da Escola Agrícola Vol. 1

€15.00Preço