António Mello era um homem solitário. Na procura do tão necessário equilíbrio na sua vida, encontrou no interior de Portugal um refúgio temporário ao que o abominava e perturbava em Lisboa, onde vivia e trabalhava. Ali, numa pequena e esquecida aldeia de Trás-os-Montes, a proximidade ao essencial e à natureza, a possibilidade de vivenciar o tempo lento, e a criação do ritmo de vida que necessitava, traziam-lhe a tão procurada e necessária solitude. 
Toda uma mediocridade social o impeliam a esse isolamento. Habituado à reflexão e ensinamentos do silêncio, vê esta sua rotina naquele pedaço de ermo do mundo, assim como um conjunto de certezas profundas, abaladas por aquilo que julgava não ser mais possível – o amor. António vê-se, a partir daquele momento, obrigado a confrontar-se, não só com coisas que nunca sentiu, mas principalmente com forças que desconhecia existir. 
Numa narrativa de amor e perda, a reflexão sobre o existencialismo emerge ao longo das várias fases da vida de António, onde as forças indomáveis e únicas da natureza humana imperam numa reflexão sustentada por uma história terna de amor. 
 
***
O autor considera o livro como um romance existencialista por parte de um romântico racional. 
 
Passagens que o autor aprecia particularmente na sua obra:
 
“Enquanto contemplava toda aquela paisagem, roubada da sua luz e acariciada pela sombra da noite, entrega-se aos gritos das profundezas do seu ser, daquele lugar onde os filtros da consciência não lhe retiram a essência do sentimento.”
 
“Catarina tinha tristeza no olhar, num rosto de felicidade mais trabalhada do que sentida.”
 
“Enquanto jantavam, falavam, discutiam e sorriam, também sonhavam, no silêncio de cada palavra, sonhos bonitos e sentidos.”
 
“Perfeição, uma vez mais, e eu voltei a senti-la. - Pensava António, sempre que conseguia ir àquela fração de momento suspenso no tempo, e conseguindo o tão desejado sincronismo entre si e aquele lugar.”
 
“António olha para Catarina, desta vez fixando-se um pouco mais demoradamente nos seus olhos, tentando guardar na sua memória mais uma imagem de quem o fez sentir, pela primeira vez, que a solidão partilhada era deliciosamente cúmplice de outro tipo de felicidade.”
 
“Sem quebrar o tudo que em nada se alterava, Joaquim Várzea desce lentamente a estrada de acesso ao Bairral, apoiado na sua fiel sachola, e acompanhado de forma igualmente ritmada pelo seu companheiro de trabalho, o Goffy, um rafeiro de pata curta que se achava o maior lá da sua zona, mas que nesta altura da sua vida, nem dos gatos obtinha o respeito que a sua avançada idade canina merecia.“
 
“Era a ausência de poder lutar por aquilo que acreditava e amava que o deixava desolado e sem forças. Um sentimento de impotência contra a adversidade da natureza das coisas, da aleatoriedade da vida.”
 
“Amiúde António dizia nas suas despedidas que - A felicidade depende da forma como nos iludimos regularmente -, agarrando-se ao poder dessa convicção para amarrar na escuridão da sua alma os sentimentos ingeríveis que lá habitam.”
 
“Compreendera no silêncio da solidão, que não há verdadeiramente hora para amar. Mesmo não estando presente na forma que o destino fugazmente definiu, como parar de amar alguém simplesmente porque abandonou aquele fragmento do tempo?”
 
Similitudes com outras obras: Com a devida distância e respeito, o autor vê semelhanças entre o “No teu deserto”, de Miguel Sousa Tavares, e a escrita e carga emocional depositada no presente manuscrito.
 
Tags: aldeia, Portugal rural, romance, amor, solidão, tempo lento, existencialismo.

A Aldeia da Solitude (Edição em capa dura) de Diogo S. Teixeira

15,00 €Preço

    TODOS OS DIREITOS RESERVADOS: Edições Hórus e os respectivos autores 2015-2020